Aquela moça parece ver mais, como se tocasse os silêncios com as mãos. Antes de falar, ela já parecia ter compreendido tudo, como um chá quente oferecido em silêncio. De longe, percebi uma coisa estranha: as pessoas falavam com ela com mais sinceridade do que pretendiam. Talvez por causa da voz dela, tão acolhedora que parecia derrubar qualquer defesa, porque há algo nela que sempre viu além da superfície. Um instinto antigo. Um entendimento que não se explica.
Ela observa o mundo como quem segura um segredo que nunca pesa, escuta como se cada palavra fosse um objeto frágil. E eu, observando-a do meu canto, desejei que todos pudessem ser vistos desse jeito um dia: sem máscaras, sem ruído, sem o medo constante de serem demais ou de serem pouco.
Algumas pessoas parecem guardar um mapa invisível dos outros, mas essa moça parece guardar bússolas apenas para indicar caminhos, seja para estradas ou para dentro dela mesma.
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